Efeitos do tarifaço e chances na Europa: os novos olhares das empresas cearenses
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Medida imposta por Trump em 2025 ainda abala setores no Estado, mas a possibilidade de abertura e ampliação de novos mercados a partir do acordo Mercosul-União Europeia cria boas expectativas para 2026 O recorde nas exportações cearenses em 2025, quando a venda para o Exterior cresceu 55,6% ao somar US$ 2,28 bilhões, não foi suficiente para pôr fim aos efeitos do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump (Estados Unidos) a produtos brasileiros no ano passado e que impactou diretamente cadeias produtivas inteiras no Estado. Passados mais de nove meses desde o tarifaço de 10% e cinco da tarifa de 50%, as empresas se reposicionaram para manter a produção ativa e seguem em adaptação, com expectativas positivas para 2026. A perspectiva, dizem representantes de setores e empresas ouvidos pelo O POVO, deve-se principalmente ao acordo comercial entre o Mercosul — bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia — do qual 27 países são membros, hoje. A despeito da judicialização feita na corte europeia sobre o acordo, a Europa surge como oportunidade especial para aqueles que sofreram perdas severas no comércio com os EUA devido ao grande poder de compra da população. No caso específico do Ceará, Europa e Estados Unidos constituem os principais parceiros comerciais das empresas do Estado. Dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (CIN/Fiec) atestam uma expansão de 72% na exportação com o bloco europeu ao somar US$ 447,1 milhões em 2025, o que fica atrás apenas dos EUA (US$ 1,05 bilhão). Mas as relações comerciais internacionais entre players cearenses e estrangeiros partem de uma nova condição desde a metade do ano passado, uma vez que as empresas seguem driblando o impacto da sobretaxa de 50% feita pelos americanos. Efeitos persistemO setor de pescado, sobre o qual não houve nenhuma mudança no tarifaço, aderiu ao programa de apoio criado pelo governo estadual e considera a medida essencial para assegurar o porte das indústrias e o trabalho dos pescadores artesanais, segundo contou ao O POVO Paulo Gonçalves, diretor do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindifrio-CE). “Não mudou nada. Os 50% continuam e o Governo do Estado vem mantendo a reposição de 40% das exportações. Só não estamos parados porque o governo vem repondo o imposto. Há este compromisso até o dia 6 de fevereiro e acredito que vai renovar esse compromisso”, explicou. A inserção dos peixes na merenda escolar, no entanto, não foi possível porque o programa estadual exige o preparo em filés e a forma como o pescado era vendido ao exterior eram peças inteiras, mesma condição que dificultou a conversão da produção para o mercado interno, de acordo com ele. Para a cadeia produtiva do coco, retirada do tarifaço na primeira lista de beneficiados, os impactos da medida americana são sentidos nas plantações. Rita Grangeiro, fundadora da Associação Nacional dos Produtores de Coco (Aprococo), disse enfrentar uma baixa produção atual por conta da falta de cuidado com as plantas no período de baixa das vendas. “A desorganização no campo foi horrível porque os cocos ficaram no campo para secar. Aí o preço do coco seco foi lá para baixo, por causa da quantidade. Oferta muito alta. O coco verde não vingou porque você não tinham dinheiro para cuidar dele. Então não compensava nem tirar do campo. O que acontece? Você compromete as safras futuras”, afirmou. Simultaneamente à retomada do mercado americano, cresceu também a demanda por coco verde no Brasil. As altas temperaturas no Sudeste demandaram maior venda de coco in natura. Apenas a fazenda de Rita, segundo ela, chegou a enviar dez carretas em apenas uma semana para aquela região. No Ceará, um hotel aumentou as compras de 2 mil a 3 mil cocos por semana para 4 mil por dia na alta. Os demais setores ouvidos pelo O POVO, no entanto, precisam de adaptações para conquistar o mercado europeu. A indústria de água de coco, disse Rita Grangeiro, deve adaptar a embalagem aos padrões europeus e isso requer, segundo ela, ao menos 90 dias para que as fábricas se adaptem. O mercado foi considerado em meio ao tarifaço e recebeu essa devolutiva das autoridades europeias, o que fez as negociações não avançarem. No caso dos pescados, contou Paulo Gonçalves, a questão envolve barreiras sanitárias impostas desde 2018 e não deve ser destravada até o fim de 2026 pela avaliação do setor. “Há um compromisso deles virem ao Brasil fazer auditorias sanitárias em barcos e indústrias depois de julho. Isso abriria margem para todo tipo de pescado”, considerou. Fonte: O POVO |
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