Artigo de Karina Frota, gerente do CIN, no jornal O Povo destaca crescimento expressivo das exportações brasileiras
Em sua coluna no jornal O Povo, Karina Frota, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN), destaca o crescimento expressivo das exportações brasileiras. Confira a publicação na íntegra abaixo ou acesse diretamente no site do O Povo clicando AQUI.
Não é "só" petróleo
As exportações brasileiras para a região apresentaram crescimento expressivo em janeiro (30,8%) e fevereiro (28,1%), na comparação com os mesmos meses de 2025
Os países do Golfo, aqui considerados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Barein, compõem uma das regiões mais estratégicas para o comércio internacional, tanto pela relevância na produção de petróleo quanto pela localização geográfica em rotas-chave de transporte marítimo global.
O escoamento de mercadorias na região depende fortemente do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz, corredores logísticos essenciais para o fluxo de commodities e insumos industriais.
No início de 2026, o agravamento das tensões no Oriente Médio passou a impactar diretamente essas rotas, configurando um choque logístico relevante no comércio internacional.
Em cenários dessa natureza, as restrições operacionais tendem a afetar de forma mais intensa países cuja inserção comercial depende de cadeias logísticas longas e transporte marítimo de grande escala.
No caso brasileiro, os dados indicam que os efeitos observados estão associados predominantemente a limitações operacionais na logística internacional, e não a uma retração da demanda dos países do Golfo.
As exportações brasileiras para a região apresentaram crescimento expressivo em janeiro (30,8%) e fevereiro (28,1%), na comparação com os mesmos meses de 2025.
Em março, contudo, esse movimento foi interrompido, com os embarques totalizando US$ 537,1 milhões, o que representa uma queda de 31,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar dessa inflexão, o acumulado do primeiro trimestre ainda registra crescimento de 8,1%, indicando que o desempenho positivo dos meses iniciais foi suficiente para sustentar o resultado agregado.
A análise conjunta de valor e volume reforça o diagnóstico de choque logístico. Observa-se que a retração em março foi acompanhada por uma queda ainda mais intensa no volume embarcado, evidenciando uma contração no fluxo físico de mercadorias. Esse comportamento é típico de restrições operacionais, nas quais a capacidade de transporte é reduzida, independentemente da demanda.
Adicionalmente, o transporte marítimo concentrou aproximadamente 86% do valor exportado e praticamente a totalidade do volume no período, evidenciando a elevada dependência brasileira desse modal.
Nesse contexto, a queda observada em março está diretamente associada às limitações nas rotas marítimas, confirmando que o principal vetor de impacto foi logístico.
No contexto nacional, o comércio exterior do Ceará com os países do Golfo apresenta representatividade extremamente reduzida, mas com uma dinâmica própria, marcada por elevada volatilidade e forte concentração em poucos fluxos comerciais.
No acumulado de 2026, as exportações cearenses totalizaram US$ 1,49 milhão, com crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025.
No contexto regional, o Ceará ocupou a 3ª colocação no Nordeste em 2026, com participação de 8,46% nas exportações, avanço relevante em relação a 2025 (2,81%).
No plano nacional, o estado ocupa a 18ª posição, com participação de 0,06% nas exportações, evidenciando uma baixa representatividade no total brasileiro.
Ao longo do primeiro trimestre de 2026, as exportações cearenses apresentaram comportamento altamente oscilante, reforçando a característica de dependência de operações pontuais.
Após crescimento de 11,1% em janeiro, os embarques recuaram 46,9% em fevereiro, sendo posteriormente retomados em março, com forte expansão de 191,7% na comparação interanual.
A análise por modal evidencia uma estrutura distinta daquela observada no Brasil. Embora o transporte marítimo permaneça relevante, sua participação nas exportações cearenses é menor, respondendo por aproximadamente 53% do valor exportado em 2026, enquanto o aéreo ganha destaque, com crescimento de 158% e participação de quase 47% no total.
Esse padrão indica maior presença de produtos de alto valor agregado e baixo peso, reduzindo a dependência do transporte marítimo e, consequentemente, a exposição a gargalos logísticos internacionais.
Isso sugere que o Ceará apresenta maior resiliência relativa ao choque logístico observado no Golfo, em comparação ao padrão nacional.
As exportações cearenses para os países do Golfo em 2026 caracterizam-se por um padrão de elevada concentração geográfica, produtiva e territorial, com forte predominância de poucos destinos, produtos e municípios.
Observa-se, ainda, redução da diversidade da pauta exportadora e reconfiguração dos fluxos comerciais em relação a 2025, com redirecionamento das operações para mercados específicos e maior presença de bens de maior valor agregado e menor volume físico.
Esse padrão indica que o comércio exterior cearense com a região está estruturado em nichos produtivos bem definidos, com baixa diversificação e elevada dependência de poucos fluxos comerciais.
No nível de produto, a pauta exportadora apresenta elevada concentração em poucos itens, com destaque para bens de maior valor agregado e menor volume físico.
Sobressaem artefatos de joalheria, produtos alimentícios processados, como biscoitos e waffles, além de ceras de carnaúba e insumos minerais, como o óxido de magnésio.
Observa-se ainda redução da diversidade da pauta em relação a 2025, com diminuição no número de produtos exportados, reforçando o caráter concentrado e pontual das operações comerciais.
